domingo, 18 de dezembro de 2011

Tempestade - Maria Luiza

Storm - 17/12 - Maria Luiza


Eu sou a tempestade lá fora.
Eu tenho a tempestade dentro de mim.
O céu desaba em Porto Alegre....
chuva pra lavar os pecados,
raios para iluminar a escuridão.
Pingos de pedra gelada:
pedaços de corações partidos.
O céu deságua o que os olhos não choram.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Noite - Maria Luiza

Claudia na Chapada dos Veadeiros
Da magia, a senhora... 
da noite, a dama... 
não importa a hora: 
ela sabe quem a ama...

Para minha amiga Claudia Mallmann

sábado, 5 de novembro de 2011

Claro-escuro - Maria Luiza

Catedral de Lisboa, 1147 - Foto de Marco Cavalcanti
Claro-escuro espiritual
Desdobram-se as rosetas
nos vãos da catedral
não há voos de borboletas:
fé ígnea em pedra fria
são fantasmas da Inquisição...
Orai, filhos de Maria!
E peçam, a Deus, perdão!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nós e Laços (baseada em C.F.A.) - Maria Luiza

"Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem,
que lhe parecem verdadeiras.
Desfaça os nós que lhe prendem àquelas que
foram significativas na sua vida mas,
infelizmente, por vontade própria, deixaram de ser.
Nó aperta, laço enfeita, simples assim." - Caio Fernando Abreu "

Não nos quero nó
Nos quero laço
Nó sufoca
Laço enfeita
Eu fui boboca
E fiz desfeita
E fiquei só
sem teu abraço...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vida que segue - Maria Luiza

Vida que segue, como acasos,
com descasos, sem casos,
ou com "causos" pra contar,
ou recontar,
descontar em folha,
trocar a escolha,
arrancar com saca-rolha
pra fazer jorrar o vinho...
Às vezes sair de fininho,
pra ninguém notar!

Bonecas infláveis - Maria Luiza

Mulheres de plástico.
Mulheres com plástica.
Bonecas não infláveis.
Robotizadas.
"Roubatizadas"...
Compradas nas clínicas.
Estéticas meninas,
sem rugas
ou imperfeições.
Perfeitas pros machos:
Submissas
com cara de tacho
e seios rotundos
bunda empinada.
Recheio? Que nada!
Sem pensar profundo,
risos e trejeitos,
cabelos tingidos
e olhos fingidos
como a sua alegria...
Querem um provedor
Essas bonecas,
infláveis,
conforme o ego
do comprador.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ritos profanos - Maria Luiza

O que a boca cala,
o olhar revela...
O que a palavra engana,
A atitude profana...
Nem sempre o que se é escrito
pode ser lido com o mesmo rito...
Medito...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sonho Perdido - Adriana de Cenzo

Se eu pudesse explicar, explicaria...
Se eu pudesse arrancar
este aperto de dentro do meu peito
eu arrancaria...
não sei explicar...
Não posso arrancar,
não dá,
a morte já se faz presente,
chegou lenta,
calma e sorrateiramente,
já não tenho pulso,
já não respiro...

O último sopro de ar
se esvaiu com a sua partida,
agora está feito!
Restou um corpo inerte e sem vida,
eis aqui mais uma alma a vagar
em busca de um sonho perdido....

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A fruta não cai longe do pé: texto de Bárbara Corrêa, minha filhota amada.

Bárbara - foto: MLDiasCosta
Não sabia deste texto dela até ontem.  Mamãe-coruja orgulhosa da cria que tem, faço questão de compartilhar com vocês o promissor talento de uma artista de 12 anos de idade. Artista, sim: a sensibilidade de Bárbara me encanta e assusta: sabia da sua paixão e competência pela música e pelo desenho.  Ontem me surpreendi com o talento com as palavras. Não corrigi nada, não modifiquei nada: é o texto dela, sem revisões ou correções.  Trata-se de um exercício do sentimento - sentir a gente não passa a limpo. Boa leitura!  - Maria Luiza.

Amor não tem restrições. 

Pode ser a coisa MAIS LOUCA que alguém pode fazer por outra pessoa, que é por amor. Não tem porque não amar, por mais boba a razão, amar é saudável para as duas pessoas. Traz alegria, paz e uma sensação que sempre tu tem alguém pra te aconchegar nas noites frias, alguém pra te abraçar quando tu tá triste... O melhor que se pode fazer quando não tem nada na vida, é amar.
Sempre que penso em você, tenho vontade de chorar, pois não consigo me aproximar de você. Sempre que penso em você, tenho vontade de segurar sua mão. Quando estou perto de você, tenho vontade de te abraçar e nunca mais soltar. Quando você fala comigo tenho vontade de te beijar. Mas quando você está longe, parece que minha vida não tem sentido. Quando você está longe, sinto vontade de ficar quieta, num canto, renovando e renovando minhas mágoas. Você é tudo o que eu tenho na minha vida. Se você for embora, de que adianta eu continuar viva? Sem você, minha vida se resume a nada. Me sinto como uma chama entre a neve, quase se apagando. Sem você, fico me perguntando “Qual a razão de eu estar aqui?”. Com você longe, não tenho alegria, felicidade, nem vontade de sorrir. Meus únicos sentimentos são culpa, tristeza, ódio, mágoa. Sempre que penso em seu sorriso, sorrio também. Sempre que penso em seu olhar carinhoso, me sinto num mundo de fantasias. Sempre que penso no seu jeito gentil de ser, sinto como se eu estivesse sonhando nas nuvens. Com você, eu sinto que posso fazer qualquer coisa. Sem você, me sinto inútil. Você é a única razão de eu acordar e ir para a escola. Você é a única razão de eu ser feliz. Você é a única razão de eu sentir que sou alguém no mundo. Sempre que eu vejo você, sinto aquele frio na barriga de ir falar com você. Sempre que sinto seu olhar posto em mim, fico vermelhinha e tenho vontade de gritar de alegria. Sempre que Sonho com você, sinto como se você fosse o remédio para a minha febre. Espero que você saiba que você tem um lugar reservado em meu coração e que eu te amo infinitamente. Sempre que eu penso em você, espero que você esteja pensando em mim.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Alma por um fio - Maria Luiza

O corte do bisturi 
dói menos que a palavra,
dói menos que o silêncio.
Não há anestesia possível
para a indiferença.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Hora de mudar o script - Maria Luiza

Caminho das pedras - Maria Luiza

Faz frio.
Faz sol.
Silêncio abalado pelo vento
que estupra as venezianas.
ischhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Dentro há aquilo que deveria ser dito.
Fora há o silêncio do medo.
Faz frio.
Faz medo.
Faz silêncio.
Letargia.
Sabe que deve mudar o script.
Pois já mudou internamente.
Não há descanso.
Parece descaso.
Como levantar e sacodir a poeira?
A poeira tem peso do cimento.
Emparedada.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Presente pro Delmar - Maria Luiza


Desde o tempo do colégio
Esse moço bonito
Lançava sortilégio
Mandava em manuscrito
Algumas poesias
Rimando fantasias

Gente fina, grande irmão
Um cara de quem gosto
Legal como o verão
Aniversário? 4, agosto!
Receba meu beijão
Tachado no rosto
E vamos soltar rojão!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Oferenda II - Maria Luiza

Quero lhe oferecer
toda a minha suavidade
compartilhar da minha força
fazer do meu colo o seu descanso

Quero lhe oferecer
todos os meus sonhos
compartilhar meus dias
fazer do meu corpo a sua fogueira

Quero lhe oferecer
todos os meus risos
compartilhar minhas dores
fazer do meu abraço a sua paz

Quero lhe oferecer
toda a minha vida
compartilhar o pão
fazer de mim somente sua

terça-feira, 26 de julho de 2011

Catedral do Tempo - Maria Luiza

Emudeço diante realidade.
Só o silêncio é capaz
de fazer ver a verdade:
preciso de um pouco de paz

Meu sentir não é efêmero

misto de angústia e amor
substâncias sem gênero
Ora o riso, ora a dor

Da catedral do tempo os carrilhões

alertam que é chegada a hora
da viajante regressar à casa...

Nada de rápidas conclusões
Nada é "aqui e agora":
o momento é de abrir as asas.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Oferenda - Maria Luiza

Dividindo o pão - Miriam C. de Souza
http://www.flickr.com/photos/admiriam/5686595125/


Há que se sonhar nesta vida.
Há que se realizar nesta vida.
Não tenho outra vida para oferecer
Somente esta: toma o que é teu.

Criadora/Criatura - Maria Luiza

 
Tenho vivido de imaginar.
Minha criatividade exarcerbada me leva para mundos que ninguém imagina.
É uma viagem solitária, às vezes triste, às vezes alegre.
Compartilhar a imaginação é mais difiícil do que compartilhar a realidade.
No imaginário podemos ser tudo.
Na realidade somos o que somos: limitados.
Por isso escrevo...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cinza e gume - Maria Luiza

Chego junto à janela
abro meus braços:
quisera aprender a voar!
Abraço o vazio
e me deixo cair
na cadeira.

Olho de cima a cidade fria,
manhã de cinza e gume.
Não há sol sem você.

As palavras voltam
como bumerangues:
"Não chego na hora marcada"
Não há hora, meu bem, há a vida!
Vida marcada pelo amor:
você está nela!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O til da lagartixa - Maria Luiza

O rabo da lagartixa
- jacaré de parede: til -
que passeava a tarde,
comia as moscas da noite
assadas na iluminação do poste...
Saudade: a lâmina que corta
o til da lagartixa,
...pobre animal cotó!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Brincando de Florbela - Maria Luiza

Estes lábios que são teus
perderam-se de ti por eras,
tentaram, em vão, encontrar
em outras bocas o mesmo beijo...
 
Nem o fogo de mil Prometeus
nem a fúria de mil Heras
hão de fazer cessar
da tua boca o meu desejo...
 
Ninguém mais se atreverá
a tocar no meu coração:
só dedos, boca e lábios teus!
 
Nunca houve, nem haverá
dos outros lábios tamanha sedução...
Sim, são teus os lábios meus...

domingo, 26 de junho de 2011

Central do Brasil - Maria Luiza


Você-locomotiva:
você-louco-motivo-da-minha-existência:
eu-trilho-dormente:
eu-na-trilha-quase-demente:
eu-no-descompasso-do-tempo:
eu-sincopada-no-contratempo:
na trilha da sua locomotiva
sou trilho, chão, caminho e poeira...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Presente pro Doutel - Maria Luiza

Eu não vou desejar
feliz aniversário pra você...
coisa mais clichê!
O que eu desejo de verdade
é uma vida inteira de felicidade!
Poder cantar parabéns todos os dias,
acordar e ter a certeza de alegrias
e saber que você é o melhor amigo
entre tantos queridos do coração
não só por mim, mas por um montão
de gente legal e bacana,
alguns até meio sacanas...
Segura a onda: vou estar contigo!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

No contratempo do tempo - Maria Luiza

Eu quero mesmo é fazer da vida uma dança,
onde cada passo seja a esperança,
num contratempo voltar a ser criança,
dar a mão ao tempo com confiança
de que o meu sorriso ficará como herança...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Na trilha dos trilhos - Maria Luiza

Trilhos, trilhas, textos. 
No fundo a vida é mesmo assim: 
caminhos que se cruzam, 
que se descruzam, 
que seguem em direções opostas, 
e tornam a se encontrar. 
As trilhas (músicas) mudam 
conforme o caminho percorrido 
e a memória insiste 
em lembrar acordes belos 
que marcaram 
os ouvidos e os sentimentos. 
Os textos: 
de frases de parachoques de caminhão 
às mais profundas poesias 
- passamos por clichês, 
reinventamos o verbo, 
damos novos sentidos aos adjetivos, 
alteramos os sujeitos. 
E assim seguimos 
pelas trilhas dos trilhos. 
Alguns sonhos ficaram no caminho, 
outros carregaremos para sempre 
e alguns, 
tentaremos trazê-los à realidade. 
O trem da vida não pára 
enquanto não se chegar 
à derradeira estação. 
Já estive num trem-bala 
- tudo muito rápido, 
muito moderno, muito seguro 
- ritmo frenético 
onde só se pensava 
em chegar ao destino: 
e o destino não é o que pensei. 
Hoje busco o tchuco-tchuco 
da maria-fumaça 
e seu balanço calmo: 
quero ver os campos 
com vacas pastando, 
quero ver o rosto das pessoas 
que estão na paisagem, 
quero poder descer 
numa estação simples, 
tomar uma água de côco 
e comer um pastel. 
Quero sorrir para o maquinista 
e voltar ao trem, 
sentando-me ao lado 
daquele que me faz feliz. 
O destino não importa. 
A viagem é o mais importante.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

EU QUERO MEU BRASIL DE VOLTA! - Por Carla Pola


Passei 22 anos da minha vida em sala de aula. Comecei a lecionar nos anos 80 ainda menina e quando a educação ainda era tradicional. Com a abertura, através da Anistia, as metodologias a La Paulo gramcista Freire começaram a tomar conta das escolas. Aí começa o processo de jumentalização de crianças e jovens.
Todas essas metodologias de sócio-interacionismo, construtivismo e outras bobagens mais, aos poucos tiraram a autoridade do professor, pois como dizem esses cretinos que pensam que sabem educar, o professor era uma forma autoritária de imposição de aprendizagem aos alunos. Pode? Mas é isso aí. O professor na visão desses pseudo-educadores deveria ser só um meio pelo qual o aluno buscasse a aprendizagem.
Esse pessoal simplesmente estava enfiando essas barbaridades goela abaixo de uma classe que nunca foi unida a fim de jumentalizar as crianças pelo método Paulo gramcista Freire de ser. Ou seja, criando analfabetos funcionais no futuro. Muitos professores, como eu, resistimos, porém outros foram se aposentando. Mesmo assim, jamais abri mão da educação tradicional e formal. Isso gerou uma bela depressão com o passar dos anos. Professor comprometido com a educação é assim. Ou tem depressão, ou problema de coração, câncer; pois atualmente os jumentos formados nas universidades que não sabem nem a disciplina que ministram, dominam a Educação brasileira como um todo.
O maior jumentalizador (termo que pego emprestado do meu amigo @Lufvaz) atual é o Ministro da Educação Fernando Haddad. Essa criatura que ainda canta em prosa e verso as benesses do stalinismo. Hoje mal começo a ler as notícias e me deparo com essa pérola desse inútil e imprestável ministro:
“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.
Já não basta esse estúpido ter destruído o ENEM? E agora ainda quer responsabilizar os alunos pela sua incompetência nas provas deste ano? Já não basta querer enfiar goela abaixo o tal “kit-gay” que fariam crianças de 11 anos assistirem vídeos ordinários, feitos por ONGs mais ordinárias ainda que nada entendem de Educação? São militantes intolerantes e querem que todo mundo vire gay na marra!
Fora filmes como O Segredo de Brokeback Mountain! Para crianças de 11 anos?! Essa raça¹³ perversa perdeu a noção das coisas?
Como esse vigarista intelectual vem dizer que Stalin era melhor que Hitler porque lia os livros dos seus inimigos antes de fuzilá-los? Tanto um, como outro eram dois ditadores assassinos. Se for levar a cabo, Stalin ainda matou muito mais que Hitler, o que não quer dizer, obviamente que não fosse um verme histórico da mesma estirpe. Quer dizer que por que Stalin lia os livros ele era mais “humanitário” seu vigarista?
Pois fique sabendo seu pseudo-intelectual de uma figa, que nem uma dissertação de mestrado soube fazer, que as crianças têm que aprender sim: A LER e INTERPRETAR, saber a TABUADA DE COR E SALTEADO, FAZER MAPAS, CONHECER DE TRÁS PRA FRENTE OS ESTADOS BRASILEIROS E SUAS RESPECTIVAS CAPITAIS, REGIÕES; CONHECER AS DUAS DIVISÕES DA AMÉRICA (FÍSICA E PELA LÍNGUA) ENTRE MUITAS OUTRAS. ENTENDEU?
Ninguém normal precisa de kit isso ou aquilo para definir sua sexualidade, isso não se aprende na escola. Escola é para tirar o aluno da ignorância e não afundá-lo mais nela. A linguagem formal, Haddad, dá liberdade e nunca será preconceito elitista, seu manipulador barato!
Ora! Desde quando a concordância é elitista? O correto é: OS LIVROS e não OS LIVRO. Escreva você assim, já que gosta tanto de analfabetismo. Sua dissertação de mestrado mostra que você não tem capacidade nem de pesquisa e muito menos de observação.
Senhor Haddad, o senhor é um insulto aos EDUCADORES de verdade como eu, uma vergonha total, um incompetente, um comunista imbecil que não conseguiu ver que o comunismo caiu de podre. Nem a história você conhece! Sabia que Stalin preservava a língua russa? Se você estivesse lá no tempo dele como ministro da educação seria fuzilado e sem churumelas. Sabia disso?
Pois, eu como Educadora que morrerei sendo, grito bem alto: FORA HADDAD! Você é uma vergonha total! Uma criatura repugnante! Jamais alguém como você deveria ter uma pasta como a EDUCAÇÃO nas mãos!        
'“Fizemos a revolução, mas preservamos a bela língua russa’.” Stalin
            Viu como seu mestre iria fuzilá-lo seu analfabeto histórico?
            EU QUERO MEU BRASIL DE VOLTA!  FORA HADDAD!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Amor e futebol - Maria Luiza

Você passa correndo e me atira um beijo.
Eu, goleira experiente, estico os braços
e impulsiono o corpo na direção exata.
O beijo chega na minha boca e o placar mostra 1 x 1.
Neste jogo só o empate é o resultado esperado.
Saio do meu campo, passo pelo centroavante
sem olhar nem para o lateral direito.
Driblo a zaga,
invado a sua pequena área.
Não me interessa quantos estão em jogo,
miro em você,
com a certeza do gol na minha cabeça.
Parada estratégica para analisar a distância.
Frente a frente,
olhos nos olhos.
E aí,
vai defender
ou vai encarar?

domingo, 24 de abril de 2011

Lisérgica Poesia - Maria Luiza

Estendo-te a mão e convido:
venha sonhar comigo.
Sou a heroína que entra em teus braços,
o fumo e o ópio que tonteia,
a dose tóxica que relaxa.
Lisérgica Maria
que te envolve em brumas,
nuvens de seda e lã,
de sabor acridoce.
Sou a carne que sacia a tua fome,
o vinho que te embala o sono,
a uva que te adoça o paladar.
Sou buquê de flores do campo
dentro do teu abraço,
Sou perfume: musgo e jasmim.
Sou poesia.

sábado, 16 de abril de 2011

S.O.S. Alegria - Maria Luiza

Cinza. Porto Alegre, 16/04/11 - Photo by Maria Luiza


Porto Alegre do dia cinzento,
meu olhar cinza é puro lamento:
preciso urgente de sol e maresia,
algo que faça sair dessa apatia,
que me dê sonho e alento,
que me mova ao meu intento,
que me tire dessa afasia
e me devolva a alegria
de viver e fazer Poesia.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ser brega... ou ser humano? - Maria Luiza



A vida é brega. 

Nascer é a coisa mais brega que um ser humano pode fazer: já chegamos sujos de sangue (o mesmo sangue que vamos dar vida afora em amores mal-sucedidos, trabalhos mal-remunerados, amigos maledicentes, e por aí vai) , enrolados num cordão (para nos lembrar que, por mais livre que seja a alma, estaremos amarrados às pressões sociais) e mesmo antes de poder sorrir, levamos uma bordoada pra respirar e choramos! 

Breguice é inerente à condição humana.  Até Coco Chanel foi brega: ela ia ao banheiro, né? Quer coisa mais brega do ir ao banheiro?

Entonces, meus caros leitores, ouçamos Vanusa cantando Paralelas, ou pra dar risada, Sidney Magal com sua Sandra Rosa Madalena e sigamos nas nossas breguices cotidianas!

domingo, 10 de abril de 2011

De olhos fechados - Maria Luiza

Photo by Maria Luiza Dias Costa

Fecho os olhos ao te abraçar
No avesso das pálpebras retenho tua imagem
É esse o instante a que chamo de infinito.
Para sempre meu por um átimo.
E cada vez que pisco meus olhos
tua imagem volta refletida
no escuro da memória.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Improvviso - Andréa Chénier - Umberto Giordano

Excepcionalmente hoje coloco os versos de uma das minhas árias favoritas, Un dì all'azzurro spazio - do primeiro ato da ópera Andréa Chénier.  A foto que ilustra o texto é do grande tenor do séc XX -  Mario del Monaco -  caracterizado como Chénier.


Colpito quì m'avete... Un dì all'azzurro spazio



Colpito qui m'avete   
ov'io geloso celo  
il più puro palpitar dell'anima.   
Or vedrete, fanciulla,   
qual poema  
è la parola "Amor,"   
qui causa di scherno!   

Un di all'azzurro spazio  guardai profondo,   
e ai prati col mi di viole, 
piove va l'oro il sole,   
e folgorava d'oro il mondo;   
parea la Terra un immane tesor,   
e a lei serviva di scrigno,  il firmamento.   

Su dalla terra   
a la mia fronte   
veniva una ca'rezza viva,   
un bacio.   
Gridai, vinto d'amor:   
T'amo, tù che mi baci,   
divinamente bella, 
o patria mia!   
E volli pien d'amore pregar!   
Varcai d'una chiesa la soglia;   
là un prete nelle nicchie dei santi   
e de la Vergine, accumulava doni...   

e al sordo orecchio   
un tremulo vegliardo   
invano chiedeva pane,   
 e invan stenddea la mano!   
Varcai degli abituri l'uscio;   
un uom vi calunniava  
bestemmiando il suolo   
che l'erario a pena sazia   
e contro a Dio scagliava,  
e contro a li uomini  
le lagrime dei figli.  

In cotanta miseria
 la patrizia prole, che fa?   

Sol l'occhio vostro   
esprime umanamente qui,   
un guardo di pietà,   
ond' io guardato ho a voi  
sì come a un angelo.   
E dissi: Ecco la bellezza della vita!   
Ma, poi, alle vostre parole,   
un novello dolor,   
m'ha còlto in pieno petto...  

O giovinetta bella,  
d'un poeta non disprezzate il detto:   
Udite! Non conoscete amor,   
amor, divino dono, no lo schernir,   
del mondo anima e vita è l'Amor!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pausa - Maria Luiza





Coração em stand by.
Minha vida: film noir.
Olhos espessos de sal e água.
Amargo na boca: a falta daquele beijo.
Agora já não sinto nada além da dor.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre Dilemas e Minhocas - Maria Luiza


Este post é dedicado à minha amiga Suelen com o desejo de força, amizade e recheado de carinho!

Certo ou errado?
Branco ou negro?
Noite ou dia?
Ir ou ficar?

Todas essas perguntas nos acompanham em toda a nossa existência. Escolhas que temos de fazer todos os dias. Nem sempre acertamos - o que parecia o correto aos olhos críticos dos que nos rodeiam, acaba por se mostrar para nós, ao longo do caminho, a escolha errada.  

 
Em 31/03/10 escrevi: "Quando a estrada se bifurca, ainda podemos seguir em frente pelo terreno não explorado. Vai da coragem de cada um..."  e antes disso, em 25/03, havia deixado registrado: "A solidão não me assusta, o que me assusta é o tédio da solidão acompanhada."

Podemos aproveitar as minhocas que habitam nossos pensamentos para que elas nos deem humus, com o qual fertilizaremos o campo da consciencia, e assim possamos crescer sempre.

terça-feira, 15 de março de 2011

Presente do Delmar

Publico, com grande orgulho, o acróstico que recebi do meu querido amigo Delmar por ocasião do meu aniversário.  Valeu Mazinho, estou lisonjeadíssima!


M ulherão de múltiplas facetas
A miga de longuíssima data
L ouvo nesse dia bem porreta
U ma pisciana muito gata

C apaz de reter nas entrelinhas
O sonho fugidio do amor
S ensível ao mar onde caminhas
T elúrica ao sopro do Criador
A ceite meu beijo de letrinhas



segunda-feira, 7 de março de 2011

Pérola e Diamante - Maria Luiza

No fundo do oceano jazia a ostra.
Fechada, cada vez mais, 
guardando a preciosa pérola
que se lhe crescia dia após dia.
No fundo da terra jazia o diamante.
Oprimido pela terra acima dele.
Comprimido pela força da natureza
que se lhe cercava.
Haverá o dia
em que pérola e diamante serão unidos
na mais bela jóia que já houve.
A beleza será tão intensa
que não se poderá dizer
quem brilha mais:
a pérola com sua suavidade
ou o diamante com sua força.

sábado, 5 de março de 2011

Matando a saudade - Maria Luiza

Arpoador, fevereiro 2011.
Photo by Maria Luiza

Afastei-me da web durante esses dias, férias do trabalho, dos afazeres normais, da cidade onde vivo.  Destino: Rio, a Cidade Maravilha, 40 graus de acolhimento e beleza – minha primeira casa, minha eterna casa, onde as referências de cheiros, paisagens, ruas, construções, mar e montanhas, trânsito implacável e a magia do charme do carioca se faz notar em qualquer horário, qualquer rua, em qualquer esquina.

Reencontros agradáveis com quem já havia retomado contato há três anos, depois do meu autoexílio de trinta anos, mais o resgate de amizades há muito adormecidas pelo tempo e afastamento, rever tanta gente mexe dentro – faz a gente pensar no que cada um passou: amores, desamores, decepções, sucessos aqui e acolá, perrengues e as marcas de tudo isso sulcando aqueles rostos que ficaram guardados na memória – jovens e esperançosos.  Alguns olhares tornaram-se sombrios, desconfiados, como se esperassem o próximo golpe da vida; outros continuam com o mesmo brilho de trinta anos atrás, como se esperassem o próximo convite para ir à praia, ou um chopp no final da tarde.

No meio de tudo ainda há espaço para recontar novas velhas histórias, apresentar os filhos, surpreender-se com a menção de velhos amigos que não reencontrei ainda, e lembrar, com uma saudade gostosa, da época da adolescência, onde os sonhos e promessas eram infinitos: as histórias acontecidas no Fusca de um ex-colega, das implicâncias gratuitas com os cedeéfes do colégio, do polícia-e-ladrão com a turma do prédio, o jogo de vôlei improvisado na área de manobra dos automóveis no condomínio.  Namoros que não aconteceram, paixões que ficaram suspensas no ar e nunca confessas. Tudo isso ficou na memória de cada um, de uma maneira ou outra.

Levei minha filha mais nova para conhecer os lugares da minha infância e adolescência para que ela, no alto de seus 11 – quase 12 anos tenha noção de como a mãe dela viveu uma das melhores épocas da trajetória da vida de qualquer um.  Passeei com ela pelo Parque Lage, Jardim Botânico, Casa de Rui Barbosa, Praia Vermelha, Urca.  Mostrei os detalhes arquitetônicos das construções, contei histórias daquela época que vivi um Rio que ainda existe, mas está maduro.  Descobrimos juntas outra paisagem que não se podia visitar na minha juventude: Ilha Fiscal – ela se encantou com o castelinho que a guia insistiu em frisar que é um local de trabalho e, portanto, austero. Divertimo-nos visitando o Museu Naval: ela entrou e saiu de tudo que era permitido: navio, submarino, helicóptero.  E o calor do início da tarde não deu trégua.  “Mãe, essa cidade é linda” - diz minha gauchinha – “Me ensina a falar carioca? Quero vir morar aqui”.  Sorrio apenas.   

Nunca pensei que pudesse abandonar a minha cidade amada, mas aconteceu.   
Quem sabe um dia eu volto? 
Outra vez. 
De vez.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Desbravadora - Maria Luiza

 

 Photo Marco Tarantino - Sculpture: Vincenzo Bianchi
 
 
Desenho portas em paredes de concreto.
Traço estradas em mata fechada.
Construo pontes em abismos intransponíveis.
Sei onde está a felicidade.
Mas existem paredes, florestas, abismos
que me separam do objetivo.
Sigo. Não há outro destino possível.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De Noite na Cama - Maria Luiza



Sonho com sua boca
e sinto o gosto do travesseiro.
De novo beijei a fronha!
Acordo molhada: suor e tesão.
Estou ficando louca
com todo este roteiro!
Já perdi a vergonha,
assim descarada: e dá-lhe mão!
 
Volta a doer o pulso...
Foda-se: quero gozar
pensando que é você
quem me toca e me come.
E no meu impulso
é deitar, tocar e rolar
ficando à sua mercê
sussurando seu nome.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ars longa, vita brevis - Maria Luiza

Photo by Mark Boucher




Faço uma comparação das trajetórias de vida de cada um de nós com a estrutura de peças teatrais.  No primeiro ato são apresentados os personagens e suas características - na vida, o primeiro ato vai do nascimento até o início da vida adulta (+/- 25 anos), onde adquirimos valores morais, formação academica, amigos, amores. 

O segundo ato, no teatro, é quando a trama se inicia e se desenvolve - na vida não é diferente: casamos, temos filhos, empregos, começamos a adquirir sabedoria, aprendemos ou não com os erros do passado - é a fase do empreendedorismo: construímos algo nosso para nós e para nossos decendentes.  Diria que é a fase em que me encontro: entre 25 e 55 anos.  

O terceiro ato é quando a trama urdida no segundo ato se destrama e os personagens definem conscientemente seus destinos após o aprendizado dos acasos e descaminhos do segundo ato. Assim é na vida: filhos criados, valores repensados, olhar condescendente para os próprios erros e desenganos alheios. Ter a consciencia de ser quem você é e a partir daí fazer o que é melhor para você. Deixar que os outros vivam suas vidas libertando-os do seu jugo e viver a sua vida liberto do jugo dos outros, com suas escolhas conscientes, novas ou velhas, e se sentir bem na própria pele. 

O "gran-finale": O momento em que a cortina desce e o palco nada mais é do que um lugar vazio.  Na vida: ao fechar os olhos pela última vez, ter a certeza de que se fez o que pôde para ser feliz, com todos os (des)caminhos, acasos, e desvios da estrada que gostaria de ter trilhado desde o início. E, se não tiver ouvido o "eu te amo" desejado - dito pela pessoa certa, saber que pôde dizê-lo a ela.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre desencontros noturnos . Maria Luiza

Após ler o texto do Beiró, surgiu-me a idéia de reescrevê-lo, com um tanto de mim e brincando com a imaginação. Abaixo o texto original do Gui, com a referência de seu blog Diafragama, Obturador e Letra e a seguir a minha versão. A foto que ilustra não podia ser outra: Guilherme e eu numa brincadeira lá em casa no Reveillón. Beijos, Gui!

. Sobre encontros noturnos . Guilherme Beiró

http://diafragmaobturadoreletra.tumblr.com/
 
Nosso caso sempre foi estranho.
Eu sempre quis encontrá-la.
Eu sempre procurei por ela.
Ela nunca me evitou. Mas mantinha distância. 
Caminhei esses anos todos acompanhado dos calos em meus pés e do cigarro nos dedos.
Tive amores e desamores. Encontrei a felicidade em braços muitos.
Minhas divas, minhas musas, minhas mulheres.
Algumas levaram o que de valor eu tinha.
Outras levaram pedaços de mim.
Um preço baixo pelo o amor, ou equivalente carnal, que elas me deram.
E agora, sentado nesse quarto escuro iluminado só por uma amarelada lâmpada fraca, me vejo finalmente, na tua frente.
Ela entrou, eu fiz que não via. Ela fez que não existia.
Circulou essa velha poltrona algumas vezes.
Não fez um som sequer, mas mesmo de olhos fechados eu sabia que ela estava aqui.
Ao soltar uma baforada densa, resultado de uma tragada profunda, abri os olhos…
Vi seu rosto delinear-se na fumaça.
Cinza azulado. Frio.
Ela sorria. 
Eu não.
- Vieste me buscar? - Perguntei voltando a fechar os olhos
- Vim te encontrar.
Ela ainda sorria.
Não sei se foi a lâmpada amarelada ou meus olhos. Mas tudo escureceu.
Ela não estava mais lá.
Nem eu. 
Nosso caso sempre foi estranho.
Eu sempre quis encontrá-la.
Eu sempre procurei por ela.

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. Sobre desencontros noturnos .  Maria Luiza



Nosso caso sempre foi estranho.
Eu sempre quis encontrá-lo.
Eu sempre procurei por ele.
Ele nunca me evitou. Pelo contrário, até me procurou certas vezes. Eu mantinha distância. 
Caminhei esses anos todos acompanhada dos saltos em meus calcanhares e do cigarro eventual entre os dedos.
Tive amores e desamores. Encontrei a felicidade em braços parcos.
Meus heróis, meus bandidos, meus gostares.
Nenhum levou o que de valor eu tinha.
Alguns levaram pedaços de mim.
Um preço alto pelo o amor, ou equivalente carnal, que eles me deram: a minha alma despedaçada.
E agora, sentada neste quarto escuro, iluminado só pela iluminação pública, me vejo finalmente, na sua frente. Havia tanto a dizer, mas dizer exatamente o que?
Ele sorria. Eu não. Espantada com sua presença em mim.
- Veio me buscar? - Perguntei voltando a fechar os olhos.
- Vim ver você.
Ele ainda sorria.
Não sei se foi a iluminação da rua ou meus olhos: tudo escureceu.
Ele não estava mais lá.
Nem eu. 
Nosso caso sempre foi estranho.
Eu sempre quis encontrá-lo.
Eu sempre procurei por ele.