Hoje pensei nos seus olhos: grandes castanhas portuguesas que me seguem na memória. Apesar de estar só no escritório, seus olhos estão postos em mim. Vigia, vigília? Não sei. E bate uma saudade imensa de quando podia ver seus olhos ao vivo. Penso no que foi e no que não foi. No que poderia ter sido. Lembro-me de uma velha canção do Simon & Garfunkel: "Hello darkness, my old friend, I've come to talk with you again..." E no som do silêncio do escritório, apenas cortado pelo meu teclar, penso ouvir você chamar meu nome.
Silêncios, castanhas, sabores antigos: tudo acorrentado na memória como prisioneiros em masmorras. E dá uma saudade de um Portugal longíquo no tempo - aquele vivido em outra vida, quem sabe. Estranhamente sinto o cheiro do alecrim e da sálvia: memória olfativa antiga. Como definir o sabor do cheiro?
No peito abre-se um grande vazio que só pode ser preenchido com o silêncio das boas lembranças. Arqueologicamente escavo meu passado. Tiro o pó dos tesouros mais queridos. E seus olhos de castanhas portuguesas me acompanham. Onde quer que eu vá.
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